ENE
NEWSLETTER
Receba regularmente as últimas
notícias e eventos por e-mail
A Escola
Os Cursos Notícias Parcerias e Protocolos
Contactos

Meeting da EEN - Saumur JUN10

WORKSHOP DA EQUESTRIAN EDUCATIONAL NETWORK EM SAUMUR
(16 a 18Jun10)

RELATÓRIO
1. Situação
No anterior Meeting, ocorrido em Saumur em 22 e 23 de Fevereiro deste ano, foi marcado novo Meeting, a ocorrer também em Saumur, nas datas de 16 e 17 de Junho ainda deste ano, no qual o grupo observaria os exames finais dos cursos de instrutor dos graus 2 e 3, para troca de experiências e conhecimentos entre professores das várias escolas, os quais deveriam preparar uma apresentação de cerca de 20 minutos sobre os processo de ensino de base das disciplinas olímpicas, para o Nível 2; cada escola poderia ainda fazer-se acompanhar por
alguns alunos que teriam lições com os professores de Saumur.
Foi ainda agendada uma reunião de trabalho de cooperação entre a EEN e a FEI, com o objectivo de rever o trabalho conjunto entre as duas instituições, conducente ao Manual de “Horse Care and Management”, com vista à sua conclusão durante o mês de Julho do corrente ano.

2. Programa previsto para o Workshop da EEN
Quarta-feira 16.06.2010 :
09h00: Boas vindas
Apresentação do Plano de Trabalhos
Apresentação do Sistema de Qualificação Francês
Apresentação do Sistema de avaliação do Curso de Nível 3
10h30: Intervalo
11h00: Apresentação do sistema de avaliação do curso de Nível 2.
Apresentação do sistema de ensino de CCE de outro país.
13h00: Almoço
14h30: Observação de um teste de Cross do Curso de Nível 2
16h00: Apresentação do sistema de ensino de CCE de outro país.
17h30 : Regresso ao hotel
19h30: Jantar

Quinta-feira 17.06.2010 :
09h00: Apresentação do sistema de ensino de CCE de outro país
10h00: Intervalo
10h30: Apresentação do sistema de ensino de CCE de outro país
11h30: Apresentação de conclusões
12h00: Fim do Workshop

3. Programa previsto para o Workshop da EEN-FEI
Quinta-feira 17.06.2010 :
15h00 às 19h30: Revisão e discussão dos textos elaborados
20h00: Jantar

Sexta-feira 18.06.2010 :

09h00: Revisão e discussão dos textos elaborados
12h00: Fim dos trabalhos

4. As Escolas representadas em Saumur

Neste meeting estiveram representadas as seguintes escolas, com os seguintes participantes:

Helicon NHB Deurn, Holanda
Carolien Munsters

Stromsholm, Suécia
Daniel Svensson
Marianne Esseen-Söderberg

Norwegian Equine College, Starum, Noruega
Lena Reinertsen Erfjord
Christien Kloos

Ecole Nationale d’Equitation, Saumur, França
Nicolas Dugue
Lee Benney

 Die Deutsche Reitschule, Warendorf, Alemanha
Markus Scharmann
Hannes Mueller

Flyinge, Suécia
Carolina Rytterkull
Ann-Catrin Carlsson
Mette Henriksen
Astrid Antonsson

Escola Nacional de Equitação, Portugal
Pedro Carmo Costa
Luís Negrão

Participaram nas lições de equitação ministradas por docentes de Saumur, os seguintes estudantes:
Malin Larsson Stromsholm
Anna-Karin Wendenstam Stromsholm
Lina Henriksson Stromsholm
Malin Andersson Flyinge
Johanna Nilsson Flyinge
Denise Scholten Germany

5. Debriefing do Workshop
A Escola Nacional de Equitação, de Saumur, apresentou os sistemas de formação de praticantes e de formadores, fazendo a analogia entre estes sistemas e o
Quadro de Qualificações francês, bem como entre este e o Quadro de Qualificações europeu (idêntico ao português).

a. Desta apresentação, relativamente à formação de praticantes, retira-se essencialmente o seguinte:
(1) O sistema de formação de praticantes designa-se por Galopes, do Galope 1 ao Galope 9;
(2) O acesso às competições federadas só é permitido a quem está certificado com o Galope 7;
(3) Até ao Galope 4, apenas são exigidas competências no âmbito da Dressage;
(4) A partir do Galope 5, são examinados em Obstáculos e Cross, o que é obrigatório para todos os praticantes, seja qual for a modalidade a que se queira dedicar;
(5) Galope 5 – o Cross é composto por 4 ou 5 obstáculos naturais, transpostos a trote ou a galope, numa distância mínima de 600 metros;
(6) Os a certificação nos Galopes 8 e 9 não tem utilidade institucional, sendo obtida apenas por quem quer evoluir;
(7) Foi discutida a necessidade de se obrigar todos os praticantes a obterem certificação em Obstáculos e Cross, independentemente da modalidade escolhida, sendo considerada, pela maioria dos intervenientes, uma exigência difícil de impor na maioria dos países, mas de grande utilidade no que respeita à educação do cavaleiro e, sobretudo, à segurança dos cavaleiros e dos cavalos quando em situações imprevistas.

b. Relativamente à disciplina de Concurso Completo de Equitação, foram recolhidos os seguintes elementos:
(1) Para o Grau II (Monitor):
(a) A disciplina de CCE tem como objectivo dar alguma experiência de cross aos cavaleiros, sendo utilizados cavalos que já tenham bastante experiência em percursos de cross e que ajudem os alunos a ganhar confiança, procurando melhorar o tipo de colocação em sela necessário, e aperceberem-se do ritmo adequado para este tipo de percursos, devendo a evolução ser o mais progressiva possível;
(b) O nível exigido é o de 1 estrela, no que respeita à dimensão e composição dos obstáculos, mas sem grande preocupação com a distância e a velocidade;
(c) O curso é contínuo, com a duração de dez meses, e custa cerca de 15000€ a cada aluno;
(d) Cada aluno deverá levar um cavalo seu para a frequência do curso, sendo outros dois cavalos fornecidos pela Escola (o facto de os alunos utilizarem cavalos da Escola, não acarreta mais encargos para os mesmos).

(2) Para o Grau III (Instrutor):
(a) O curso é feito com a parceria de uma universidade, para a obtenção do grau académico correspondente, e tem a duração de 3 anos;
(b) A parte equestre é ministrada na Escola, em Saumur, podendo ter a duração total de nove meses em fracções de 4 semanas cada, ou de um ano, com seis fracções de 15 dias cada;
(c) Apesar de de o curso ter o custo de 9200 € para os alunos, ele pode ser financiado pelo Estado que apoia e incentiva fortemente a formação profissional.

(3) Relativamente às condições proporcionadas pela Escola de Saumur:
(a) A Escola compra 20 a 30 cavalos por ano, sendo os que são seleccionados para CCE, ensinados pelos professores da Escola (num total de 42), que lhes dão experiência de competição durante
cerca de 3 anos, antes de serem utilizados por estes alunos;
(b) A Escola tem actualmente a frequentar os vários cursos, cerca de 40 alunos;
(c) Existe a expectativa de, com facto de ter-se dado a fusão da Escola Nacional de Equitação com a Coudelaria Nacional, dando origem ao Instituto Francês do Cavalo, a Escola poder passar a contar
directamente com a produção cavalar da Coudelaria.

c. Relativamente à Escola de Flyinge, apurou-se que os cursos não dão grande relevo ao CCE, fazendo os alunos apenas uma iniciação aos obstáculos naturais, com obstáculos bastante acessíveis.

d. Relativamente à Escola de Warendorf:
(1) Foi referido que tinham concentrado a preocupação da aquisição de competências pedagógicas ao nível do Grau de Mestre, no qual os candidatos a este grau, para além do currículo desportivo, tinham que demonstrar ter ensinado alunos até um determinado nível;
(2) Com as alterações determinadas pelo governo, começaram a exigir o desenvolvimento de competências pedagógicas logo a partir do primeiro nível,
(3) Relativamente ao CCE, passaram a ter uma parceria com o Centro Militar do Desporto, para a prática de concurso completo, através da utilização das suas infra-estruturas, que têm sido bastante melhoradas por um Oficial que se encontra colocado naquele Centro, cavaleiro de CCE;
(4) Para além disso, a cidade de Warendorf está a promover condições para que venham a ser possíveis os deslocamentos a cavalo entre os vários centros hípicos e escolas de equitação, e assim proporcionar o incremento da equitação de exterior.

e. Foi-nos dada a possibilidade de assistir às provas dos exames finais de crosscountry de um curso de Grau 3 realizado em Saumur. Pudemos observar cerca de 8 conjuntos num percurso de nível duas estrelas. Os percursos a que assistimos foram executados de uma maneira geral com bastante qualidade, tendo tido como principais pontos de avaliação os tempos cronometrados, os
erros de abordagem cometidos e a atitude e colocação em sela do cavaleiro.
As pistas são de grande qualidade quer dos obstáculos quer dos pisos sempre bem cuidados.
Os cavalos muito experientes todos eles pertencentes à Escola Nacional, são autênticos professores na modalidade.
A impressão com que ficámos e que era opinião generalizada junto dos restantes participantes no Workshop, foi a de que a Escola Nacional de Equitação Francesa tem meios estruturais e financeiros privilegiados.
 
6. Impressões gerais sobre as situações apresentadas e a realidade portuguesa:
A forma de leccionar o cross-country – partilha de experiências dos países presentes no meeting e as principais dificuldades encontradas:
A primeira dificuldade encontrada deve-se ao facto de a maioria dos alunos em todos os países presentes, nunca ter tido contacto com a equitação de exterior que implique montar em terreno variado e numa verdadeira dimensão de galope utilizado no cross-country.
Em Portugal existe a agravante de serem os cavalos dos próprios alunos que, na maioria dos casos, nunca terem tido antes qualquer contacto com a modalidade.
Mostram por isso todos os medos e normais hesitações perante os diversos obstáculos e declives de terreno que se lhes apresentam, para além de uma normal indisciplina pelo facto de passarem a ter como local de exercício um campo aberto numa dimensão de galope a que não estão minimamente habituados.
Tudo isto pode pôr em causa a segurança da prática desta modalidade se não for acautelada uma forma progressiva e sistemática no seu treino. Um acidente na fase de iniciação pode fazer perder toda a confiança do cavalo e do cavaleiro comprometendo o futuro desempenho de ambos.
A dimensão e a qualidade das pistas é também um factor importante a ter em conta.
Por todas estas razões há em todos os países, e isso é geral, alguma pressão no sentido de se abandonar a prática do cross-country nos cursos de formação de formadores de equitação geral e passar mais pela teoria. Essa pressão vem sobretudo dos cavaleiros de ensino, muito habituados a montar em espaços muito reduzidos e vedados, onde os cavalos nunca conseguem atingir a expressão máxima do seu galope. Curiosamente há também alguns cavaleiros de obstáculos com o mesmo problema devido à falta de contacto com a equitação no exterior que se pratica cada vez menos nos dias de hoje por razões diversas.
É no entanto do consenso geral, e de treinadores com muita prática na formação equestre, ser indispensável este precioso contacto com a modalidade. A prática do cross-country habilita qualquer cavaleiro que o pratique a encarar com naturalidade qualquer reacção fruto de uma brincadeira ou mesmo de uma defesa de um cavalo mais violento bem como a resolver a transposição de qualquer obstáculo natural que se lhe depare pela frente.
À prática da modalidade juntam-se os profundos conhecimentos que se adquirem no tratamento e no maneio devido à proximidade que se tem ao cavalo pelo facto de este ter uma utilização física e mental muito exigente, sendo estes elementos básicos e fundamentais na formação de um verdadeiro "homem de cavalos".

Mais do que pormenores técnicos, foi abordada uma linha de orientação para a forma muito progressiva de leccionar esta disciplina:
Começar obrigatoriamente pelo trabalho no plano no campo (spring garden - "cerrado") e em grupo, com a finalidade de habituar os cavalos a terem um comportamento tranquilo e estável neste ambiente, tornando a sua utilização mais segura;
Uma vez o cavalo controlado e estabilizado podemos passar ao treino em terreno variado;
Passar seguidamente ao treino dos galopes até se atingir com a mesma tranquilidade os cerca de 500m/min;
Logo de seguida iniciar então o treino sobre pequenos saltos naturais e simples, primeiro em velocidade moderada ou mesmo a trote e mais tarde em galope de velocidade ( 400 a 500m/min ), tendo sempre em atenção à qualidade e equilíbrio do andamento;
 Numa última fase passar ao treino das combinações, tendo em conta a técnica das aproximações, o equilíbrio a rectitude e a correcta colocação em sela nas diferentes circunstancias.

Nas questões teóricas:
Técnicas de reconhecimento do percurso e de abordagem de saltos especiais no cross-country;
Conhecimento dos regulamentos;
Maneio e cuidados especiais de tratamento do cavalo de concurso completo.


Os representantes da ENE em Saumur



Luís Sampaio Negrão              José Pedro L. do Carmo Costa

Sociedade Hípica Portuguesa Câmara Municipal da Golegã Câmara Municipal de Alter do Chão
EPDR Abrantes EPDR Alter do Chão ESA Santarém ESA Elvas